José Medeiros de Lacerda

Leia poesia - A poesia é o remédio da alma

Textos

A COBRA SABIDA
Trecho do Cordel:
Um dia Zeca acordou
Era alta madrugada
Abriu todas as janelas
Para dar uma refrescada
Lua clara como um dia
Tão branca que parecia
Com um prato de coalhada.

Resolveu dar uma olhada
Na família magricela
Foi aí que descobriu
De onde vinha tal mazela
Qual era o empecilho
Que levava mãe e filho
A cair na esparrela.

Pelo clarão da janela
Ele pôde observar
Uma coisa diferente
Que o fez arrepiar
Deitada naquela cama
Com a mulher que tanto ama
Difícil de se explicar.

Pra melhor observar
O que estava acontecendo
Lotério acendeu a luz
Viu aquele quadro horrendo,
Sobre a esposa deitada
Uma serpente estirada
O leite dela sorvendo.

Lotério ainda foi vendo
Como a coisa acontecia
A cobra sugava as tetas
A mulher desfalecia
E a criança segurava
Da cobra o rabo e mamava
Até amanhecer o dia.

Da mulher a energia
A grande cobra puxava
Por isso mais e mais forte
A cada dia ficava
E a pobre criancinha
Mamava a noite inteirinha
Mas ali nada encontrava.

Zeca do jeito que estava
Ficou muito apavorado
Pegou no rabo da cobra
E puxou desesperado
Com a trave da janela
Bateu na cabeça dela
Foi sangue pra todo lado.

Gritou feito um alucinado
Acordando a vizinhança
Abraçou sua esposa
Juntamente com a criança
E pressentiram depois
Que salvar aqueles dois
Ainda havia esperança.

Zé Lacerda
Enviado por Zé Lacerda em 11/02/2012
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