José Medeiros de Lacerda

Leia poesia - A poesia é o remédio da alma

Textos

A ESTRADA MAL ASSOMBRADA
Trecho do Cordel:
Mexeu pra lá e pra cá
Do ofício fazendo jus
Abriu o radiador
Alguma coisa introduz
As mãos brancas como cera
Que era ver mão de caveira
Mostrando seus ossos nus.

Fechou e abriu o capuz
Deu um sopro no motor
Buliu nos fios da luz
Depois tirou o rotor
E deu uns dois solavancos,
Quando ele deu no arranco
O carro funcionou.

O chofer lhe perguntou:
- Para onde o senhor vai?
«Eu vou cortando camim
Que vou fazendo um atai,
Antes de raiá o dia
Quero estar na companhia
De mamãe e de papai.»

O chofer disse, - pois vai,
Pegue aí na direção
Já venho muito cansado
Estou sem disposição
Pelo que eu já dei fé
Parece que você é
Bom chofer de caminhão.

O outro pega a direção
E começa dirigindo
Motorista pouco a pouco
Um arrepio foi sentindo
O carro em toda embalada
E nas curvas da estrada
Parecia estar sumindo.

O carro ia zunindo
Chofer já desconfiava
O rapaz muito sisudo
Nem pro motorista olhava
Continuava em disparada,
Quanto mais ruim a estrada
Mais a carreira aumentava.

Motorista reclamava
Sem o rapaz perceber
O outro grita: - Rapaz
Não queira se aborrecer,
Este carro está cansado,
Você tem o pé pesado
E gosta muito de correr!

Por isso peço a voce
Com um pedido de amigo,
Manere mais o seu pé
Que aqui não tem inimigo,
Se voce continuar
O carro vai se quebrar
E é maior nosso castigo.
Série Coisas do Brasil - Vol. XXXVII
Zé Lacerda
Enviado por Zé Lacerda em 11/02/2012
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