José Medeiros de Lacerda

Leia poesia - A poesia é o remédio da alma

Textos

A LENDA DE MARINGÁ
Trecho do Cordel:
Com sua simplicidade
Jeito manso de falar
Conquistou a vizinhança
E os jovens do lugar
Tornou-se moça prendada
Logo cognominada
De Maria do Ingá.

Mas como é de se esperar
Nas caatingas do sertão
O inverno é variado
Um ano chove, outro não,
Nesse entrevero sofrido
Pombal se ver atingido
Por seca e destruição.

Foi grande a devastação
Que a seca provocara
Lavoura morrendo à mingua
Mato virando coivara
Gente de fome morrendo
E os criadores perdendo
A criação que restara.

Século vinte começara
Terrível, devastador,
Tristeza do pecuarista
Martírio do agricultor
Era grande a migração
Abandonando o sertão
Levando tristeza e dor.

Um futuro promissor
Não se ousava pensar
Vivendo naquela seca
Sem previsão de acabar
Desprovida de alegria
A família de Maria
Então resolve voltar.

Se foi Maria de Ingá
Pra sua terra natal
Deixando desolação
E tristeza sem igual
Na terra que a acolheu
Onde o amor conheceu:
A cidade de pombal.

A riqueza cultural
De um povo, uma região,
Nasce involuntariamente
Cresce e vira tradição
Como lendas que acontecem
Enraizam, permanecem,
Geração a geração.

Um pacato cidadão
De Maria o namorado
Vendo a amada partir,
Se sentindo abandonado,
Chorou tanto de saudade
Que comoveu a cidade
Com seu pranto apaixonado.
Série Coisas do Brasil - Vol. XII
Zé Lacerda
Enviado por Zé Lacerda em 11/02/2012
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